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Desfile no Instituto de Menores marca encerramento de Curso de Costura
16.11.2009 | 17:47
Desfile no Instituto de Menores marca encerramento de Curso de Costura
Muitas nunca tinham sequer visto uma máquina de costura. Outras não tinham nenhuma intimidade com agulhas e linhas. Mas, ao som de “Flor de Lis”, de Djavan, as 12 alunas da primeira etapa do Curso de Costura Industrial e Customização, do projeto Comunidade Viva, apresentaram suas criações na passarela. Detalhe: modelos desfilados por elas próprias. A atividade de encerramento do curso, promovido pela Capelania da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), curso de Tecnologia em Design de Moda e Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, foi realizado no dia 16. Na ocasião, também foi inaugurado o Espaço Multiuso, com infraestrutura simples, mas de qualidade para a continuidade dos trabalhos.

Com dois meses de curso, a moda deixou de ser um mistério distante para ser objeto de criação e possível fonte de renda para 12 mulheres moradoras próximas do Instituto. Em seu primeiro contato com a costura, e driblando a vontade de desistir que às vezes surgia, a cozinheira Sandra Britto, 48 anos, criou três blusas e uma saia. Durante as explicações atenciosas das estudantes de Moda Luise Al-Alam e Juliana Villela, estagiárias do projeto, Sandra viu recortes de pano transformados em vestimenta fashion. “Não se pode botar fora um pedaço de tecido, porque ‘sai’ uma blusa”, explicou. Para as alunas, o que aprenderam é uma alternativa de futuro. Segundo Sandra, uma das moças, que já tinha noções de costura, foi contratada por uma malharia. “Queria agradecer a Deus, porque foi maravilhoso. A gente não sabia e aprendeu a fazer. Eu vou continuar”, disse Sandra, que já vai reservar sua vaga para a próxima etapa do curso.

Para Luise, estudante de Moda da UCPel, a participação no projeto foi gratificante. “Estágio é sempre uma oportunidade de aplicar a teoria, além de ajudar pessoas. Tinha gente que nunca havia visto uma máquina de costura, que não sabia usar a régua, que tinha dúvidas, inclusive, em relação aos centímetros. Elas cresceram muito”, comemorou. Além do treinamento, Luise e Juliana ofereceram às alunas um panorama de todo o processo da moda. “Desde a compra do tecido ao desfile de lançamento”, salientou. Para quem, na chegada, dizia “nunca gostei dessa ‘coisa’ de moda”, as integrantes da oficina surpreenderam as instrutoras ao aceitarem o convite para desfilar. “A moda acaba trabalhando com a auto-estima. Quem não gosta de se arrumar?”, arrematou Luise.

Novo local
O Espaço Multiuso inaugurado no dia 16 conta com oito máquinas de costura, um computador, mesa de reuniões e catálogos de moda. O local foi viabilizado com a parceria entre Capelania, Instituto e curso de Moda, e também com doações. A segunda etapa do curso deverá começar no próximo semestre, juntamente com uma nova turma de iniciantes. “Isso é resultado de uma unidade e o desejo de construir um mundo melhor para as pessoas. É possível construir a cidadania e a dignidade”, disse o Capelão da UCPel, padre João Batista Storck.

Para a coordenadora do curso de Moda, professora Ligia Osorio, o momento era de emoção por proporcionar aos alunos serem agentes transformadores na sociedade. “São projetos que dão qualidade de vida a todos os envolvidos”, afirmou.
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