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Bilinguismo ilustra dissertações no mestrado de Letras
08.04.2010 | 10:54
Bilinguismo ilustra dissertações no mestrado de Letras
Uma segunda língua adquirida ainda na primeira infância ou ao longo da vida pode gerar diferenças entre indivíduos que vão desde as formas precoces de escrita e fala até a maneira pela qual se desenrolam atividades motoras. E este foi o tema principal de duas dissertações defendidas no fim de março no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Os títulos dos trabalhos, ambos desenvolvidos na área de Linguística Aplicada, são “A influência da fala bilingue Hunsrückisch-Português Brasileiro na escrita de crianças brasileiras em séries iniciais” e “Diferenças entre idosos bilíngues e monolíngues no desempenho de tarefas relacionadas às funções executivas, à memória de trabalho e à memória emocional de longo prazo”.

A mestre em Letras Sabrine Martins, que vinculou o tema do bilinguismo ao universo da terceira idade, chegou, com sua dissertação, a hipóteses sobre a influência de um segundo idioma nas funções motoras e atividades cotidianas. Uma delas, por exemplo, diz respeito à perda cognitiva, característica comum nesta época da vida, mas que pode ser amenizada através do bilinguismo. Para tanto, foram recolhidas informações sobre 38 pessoas – 14 homens e 24 mulheres, entre 60 e 75 anos –, que, em algum momento de suas vidas aprenderam, além do português, a falar alemão, pomerano, espanhol, francês ou inglês. A maioria do público analisado por meio de questionários e atividades lúdicas frequenta o Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade (Cetres) da UCPel.

Sabrine contou com a orientação da professora Márcia Zimmer e com a co-orientação da professora Juliana Bonini, ambas da UCPel. Participaram, ainda, da banca avaliadora os professores Rosângela Gabriel, da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e Weber da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Já Sabrina Gewehr-Borella, analisou o bilinguismo à luz do contexto infantil. A ideia surgiu quando, no ano 2000, Sabrina trabalhou como professora numa escola em que era comum as crianças bilíngues terem dificuldade em passarem corretamente para o papel palavras que pronunciavam com sotaque influenciado pelo Hunsrückisch, uma língua de imigração alemã, introduzida no Brasil no século 19. Nesse ínterim, “gabinete”, por exemplo, aparecia como “gapinete”. “Caderno” virava “gaterno”.

Estudando como a fala pode interferir na escrita de grafemas e fonemas, Sabrina chegou aos dados finais de seu trabalho observando e comparando a escrita, a produção oral e a percepção de alunos da pré-escola a 5ª série do Ensino Fundamental dos municípios de Rio Grande e Picada Café. Hipóteses como as trocas serem mais comuns em palavras pouco utilizadas no vocabulário do dia a dia foram confirmadas.

O trabalho “A influência da fala bilingue Hunsrückisch-Português Brasileiro na escrita de crianças brasileiras em séries iniciais” teve banca composta pela orientadora Márcia Zimmer e pelos professores Andréia Rauber, da Universidade do Minho, Cléo Altenhofen, da UFRGS e Ubiratã Alves, da Católica. A professora Andréa Rauber participou da apresentação do trabalho via teleconferência.
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