Entre o rigor da ciência e a delicadeza das palavras, um estudante de medicina encontrou na escrita um caminho para traduzir o invisível. James Teixeira, aluno do segundo ano do curso de Medicina da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), foi o grande vencedor do Concurso Zênia de León – Edição 2025, promovido pela Academia Pelotense de Letras (APL).
Com a alma, o aluno escreveu uma prosa de quatro páginas que fala sobre a placenta. Ela se chama “O Primeiro Abraço do Mundo”. O prêmio celebra, também, os 150 anos da Biblioteca Pública Pelotense (BPP).
James é natural de Camocim, na Costa do Sol Poente, região do noroeste cearense. Desde cedo ele tinha desejo pela escrita. Ele diz que ela é uma forma de extravasar o que sente de forma silenciosa e potente. Mas sua paixão pela Medicina falou mais alto.
Em uma aula prática de embriologia, ainda no primeiro ano, James ficou fascinado com o manuseio da placenta. “Tivemos uma experiência marcante ao estudar a placenta, inclusive com material real, e isso despertou em mim reflexões quase cosmológicas. Cheguei em casa e escrevi um poema breve sobre aquilo. A intenção inicial era presentear a professora com aquela arte”, iniciou o discente.
A professora responsável pela disciplina, Flávia Weykamp, lembra da emoção quando recebeu o presente. “Fiquei muito emocionada com o texto e com a grande sensibilidade do James. Quando fiquei sabendo do concurso literário, sugeri que participasse. Ele então transformou a poesia em uma linda prosa”, contou sensibilizada
Então, entre os livros técnicos de medicina e uma tela em branco, esperando uma arte, James começou a transcrever sua poesia em uma prosa. “Foi desafiador, mas também muito prazeroso. Peguei aquele poema inicial e desenvolvi em uma prosa de quatro páginas, aprofundando as ideias e trazendo mais elementos que dialogassem com o tema”, explicou.
Conforme contou James, a relação entre a medicina e a literatura está muito atrelada. “A medicina foi essencial. As aulas me deram base para compreender melhor a estrutura e suas funções, mas também despertaram um fascínio maior pelo corpo humano. Tento transformar esse conhecimento em algo mais sensível, dando um sentido poético às informações”, pontuou.
Weykamp corrobora: “a ciência e a arte são duas formas de interpretar e explicar a existência humana. A ciência utiliza observação e experimentação com critérios rigorosos, já a arte utiliza subjetividade e emoção. Ambas exigem sensibilidade e criatividade, compartilhando um papel essencial na construção do conhecimento”.
Entre os filhos da margem do São Gonçalo, o grande vencedor do prêmio foi o futuro médico cearense. “Sabia que havia muitos escritores talentosos participando. Fiquei surpreso ao saber que estava entre os três finalistas e ainda mais ao descobrir que tinha ficado em primeiro lugar”, contou surpreso.
James também conta que Pelotas está em seu coração. “É uma cidade culturalmente rica, que me encanta em muitos aspectos. Aos poucos, vou me adaptando ao clima, ao ambiente e ao ritmo das pessoas. Explorar novos espaços e vivenciar tudo isso em solo gaúcho tem sido indescritível. É muito bom se sentir valorizado, mesmo longe da terra natal”, exclamou.
O aluno conta que pretende seguir no caminho paralelo, entre a medicina e a arte. “Pretendo continuar escrevendo, explorando novos temas e perspectivas. Acredito que é totalmente possível unir arte e medicina, já que ambas lidam com o humano. A literatura pode ser um recurso importante tanto de expressão quanto de acolhimento dentro da própria formação médica”, finalizou.
Esta é mais uma prova de que a formação da UCPel vai além do ensino técnico. Ela forma pessoas para vida e para todos os desafios que a vida possa oferecer.