Foto: Leandro Lopes
“É fundamental porque nem todas as pessoas conseguem ir para o bloco cirúrgico. É uma inovação muito boa e uma experiência excelente para os alunos aprenderem. Agora vamos conseguir ver detalhes que muitas vezes não enxergávamos. Às vezes entrávamos no bloco, mas não conseguíamos visualizar o campo cirúrgico, e por vídeo fica muito mais fácil.” A avaliação é da estudante do curso de Medicina da UCPel, Bibiana Dias, uma das acadêmicas que acompanhou a primeira transmissão de procedimentos cirúrgicos ao vivo que o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), realizou.
O projeto inovador promete transformar a dinâmica do ensino médico e a rotina do seu centro cirúrgico. E para isso foi realizada a primeira transmissão de procedimentos cirúrgicos ao vivo, em tempo real, diretamente do bloco cirúrgico para o auditório no Centro Acadêmico do hospital. A iniciativa equilibra a formação dos estudantes e o rigor sanitário exigido no ambiente hospitalar. A medida impacta diretamente a eficiência e a segurança do bloco cirúrgico. Ao deslocar os alunos para o auditório, o hospital reduz drasticamente a circulação e o fluxo excessivo de pessoas nas salas operatórias, o que diminui os riscos de contaminação e garante maior concentração para as equipes médicas.
Por outro lado, o projeto qualifica o aprendizado dos futuros médicos. Em vez de disputarem espaço físico ao redor da mesa de operação, onde a visibilidade muitas vezes é limitada, os estudantes agora acompanham os procedimentos em sala de aula, observando detalhes minuciosos de técnicas e tomadas de decisão que antes seriam imperceptíveis. Com a tecnologia como aliada, o HUSFP moderniza sua estrutura pedagógica e reforça a segurança do paciente como prioridade máxima.
O médico responsável, professor Camilo Garavazzo, destaca que “essa é uma prática pedagógica muito importante, pois faz com que tenhamos uma melhora no fluxo do centro cirúrgico. Isso garante segurança e contempla mais alunos no processo de aprendizado”.
“Este também é o primeiro passo para a realização de cirurgias robóticas. E é importante este momento, também, pois desde o início do curso até a residência médica, a gente incentiva que os alunos participem. Com a tecnologia, há uma melhor imersão e um aprendizado ainda mais completo”, identifica o médico.
São realizadas, conforme indica o médico, neste primeiro momento, cirurgias por videolaparoscopia, aquelas menos invasivas. Serão contempladas três patologias: colecistectomia por vídeo (retirada da vesícula), hernioplastia por vídeo (correção de hérnias abdominais e da virilha) e apendicectomia (retirada do apêndice).
Já o diretor-geral do HUSFP e coordenador do Curso de Medicina da UCPel, Dr. Cayo Lopes, destaca que a tecnologia amplia as possibilidades de ensino sem comprometer a segurança assistencial. “Isso oportuniza, na prática, uma vivência acadêmica muito mais qualificada. Com essa transmissão em tempo real, o professor consegue enriquecer a discussão dos casos, tornando ainda mais prático o conteúdo teórico para o estudante. Ao mesmo tempo, mantemos um ambiente cirúrgico mais seguro e preservamos a saúde e a segurança do paciente”, ressalta.
Conforme as diretrizes do HUSFP, está garantido, também, o anonimato dos pacientes. Para que o procedimento seja realizado, o paciente assina um termo de permissão. Após, a partir da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o equipamento garante a confidencialidade do paciente. “A gente trabalhou para que essa parte confidencial do paciente fosse preservada e isso fosse usado somente para fins de cunho pedagógico e científico”, complementa Garavazzo