No início do mês, a professora da Escola de Psicologia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Algaídes de Marco Rodrigues, participou do Congresso Ibero-Americano de Psicodrama, com o tema Psicodrama nas Síndromes Culturais. De 2 a 5 de maio a professora esteve na cidade de La Coruña, na Espanha, para participar das atividades e apresentar seu trabalho, focado na velhice.
De acordo com a professora, o congresso tem como objetivo tomar a preocupação do psicodrama – método de trabalho dentro da psicologia – no âmbito da necessidade de se tratar as formas do adoecer relacionada com o contexto cultural. Em vez de se dar atenção somente às enfermidades no campo individual ou de pequenos grupos, o congresso objetivou discutir a relação do psicodrama na esfera cultural. “As emoções associadas podem gerar doenças quanto modificações que tragam saúde”, diz Algaídes.
O congresso teve ênfase nas intervenções de grupos, com foco em temas que as comunidades costumam excluir de suas preocupações. Por exemplo, grupos na Faixa de Gaza, ao tratar do sofrimento que se produz em virtude de conflitos políticos e de outras ordens entre nações. Exclusão por doenças e desemprego, imigrações e sofrimentos resultantes de aculturação – quando um povo é obrigado a assumir culturas dominantes – são outros exemplos de temas que não são discutidos, mas que foram abordados pelo congresso.
A professora da UCPel apresentou o trabalho “Pode o envelhecer tornar-se uma síndrome cultural?”. De acordo com ela, muitas vezes a visão da velhice é associada a vivências individuais, mas ela é ligada à cultura criada. A pesquisadora afirma que muitas mudanças positivas em relação ao processo de envelhecimento já foram feitas, mas que muito trabalho ainda está por ser realizado. “Muitas vezes as pessoas abrem mão de seus sonhos, têm medo de envelhecer, medo de dizer a idade, associam a velhice com a exclusão ou abandono. Precisamos abrir espaços e realizar ações que trabalhem o envelhecer no contexto cultural, como um acontecimento social”. Segundo Algaídes, a questão deve ser trabalhada em intervenções mais amplas, em espaços que envolvam grandes grupos e que mexam com a cultura, como escolas, praças e mídia.
Durante o congresso, foram traçados contatos com outras universidades pesquisadoras do tema velhice, que debateram e trocaram idéias sobre os desafios na pesquisa na área, inclusive sobre como o saber científico pode ser aplicado para resultados efetivos na vida das pessoas.