A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) amplia suas ações de acessibilidade e inclusão com a aquisição de duas cadeiras elevatórias Stand Up. O equipamento passa a integrar atividades práticas na área da saúde, contribuindo para ampliar a participação e a autonomia de estudantes que utilizam cadeira de rodas.
Produzida pela empresa pelotense Freedom, a cadeira elevatória possibilita a mudança de postura para a posição ortostática, oferecendo suporte em diferentes práticas acadêmicas e atendimentos em saúde. As duas unidades foram adquiridas com investimento próprio da Universidade e serão utilizadas tanto no Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP) quanto no Hospital de Simulação (HSim). Entre as instituições que integram o Consórcio das Universidades Comunitárias Gaúchas (Comung), a UCPel é pioneira a contar com esse recurso de acessibilidade, reforçando seu compromisso com inovação, equidade e inclusão.
O estudante de Medicina Leonardo Mesko, de 20 anos, foi o primeiro a utilizar a cadeira elevatória. Léo, como é chamado pelos colegas, nasceu com artrogripose, condição congênita que impacta a mobilidade dos membros inferiores. A convivência com o ambiente hospitalar desde a infância influenciou sua escolha profissional. “Pouco depois de nascer, eu fiz cirurgias para correção, por conta das articulações rígidas. Então, foi um processo longo. Mas, como sempre esteve atrelado à medicina na vida, nunca me imaginei cursando outra coisa. O desejo de fazer o curso surgiu de maneira espontânea”, pontuou Leonardo.
Leonardo destaca que a acessibilidade sempre foi um aspecto percebido durante sua trajetória na Universidade. “Antes mesmo de ingressar na UCPel, percebi uma preocupação com acessibilidade. Desde então, a Universidade sempre buscou compreender minhas necessidades para garantir minha participação nas atividades acadêmicas”, relata.
Sobre a aquisição do equipamento, ele ressalta a importância de pensar acessibilidade para além das adaptações arquitetônicas. “A acessibilidade vai além de rampas e banheiros acessíveis. Ter recursos que contribuam para a participação nas atividades práticas faz diferença no ambiente acadêmico e também na futura atuação profissional”, afirma.
Leonardo também destaca a relevância da iniciativa para outros estudantes. “Fico muito feliz por fazer parte desse momento. Acredito que isso amplia possibilidades para que outras pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida ingressem e permaneçam na graduação com mais acessibilidade e oportunidades”, celebra.
Para a diretora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UCPel, Patrícia Guerreiro, a aquisição do equipamento representa um olhar atento às necessidades dos estudantes. “Buscamos o melhor recurso de acessibilidade para que o Leonardo e outros estudantes com deficiência física possam realizar suas atividades práticas com mais autonomia e participação”, comenta.
O presidente do Núcleo de Acessibilidade da UCPel, Maurício Godoi, destaca que o equipamento simboliza o compromisso institucional com a equidade. “Não é só um equipamento. É uma ferramenta que vai possibilitar que esse futuro médico vença as suas barreiras e realize atendimentos de forma inclusiva, olhando no olho do paciente”, afirma.
Conforme Ane Dias, supervisora acadêmica do Núcleo de Apoio ao Estudante (NAE), pensar uma universidade acessível significa considerar as diferentes necessidades dos estudantes desde o início do percurso acadêmico. “Nos perguntamos constantemente o que a Universidade pode oferecer para que cada estudante desenvolva suas habilidades acadêmicas e se sinta pertencente à instituição. Pensar na acessibilidade como um todo partindo pela acessibilidade atitudinal”, ressalta.
Mais do que incorporar um novo recurso tecnológico, a iniciativa reforça o compromisso da UCPel com uma educação superior mais acessível, inclusiva e comprometida com a permanência e a participação de todos os estudantes.
Redação: Lucas Pereira
Fotos: Leandro Lopes