A Universidade Católica de Pelotas (UCPel) celebrou nesta quarta-feira (19), na Maquetaria da instituição, a trajetória do projeto de extensão Sustentabilidade no Habitat Social, que comemorou as bodas de cristal. Na ocasião foi lançada a edição especial da revista Extentio, que conta, através da vivência dos alunos e da equipe do curso de Arquitetura e Urbanismo, o dia a dia do do projeto que muda a vida de centenas de famílias.
O programa tem como objetivo propiciar experiências práticas para os alunos de Arquitetura e Urbanismo da instituição. Além disso, tem como foco uma formação humanizada e próxima da comunidade.
Conforme a coordenadora do curso, professora Laura Zambrano, o programa surgiu a partir da necessidade de uma formação mais próxima da população, mas ainda dentro da sala de aula. “O projeto foi iniciado em disciplinas acadêmicas e consolidado pela atuação de estudantes e bolsistas. Ele possibilita o aprendizado e garante melhorias na qualidade de vida de famílias vulneráveis por meio de orientação técnica, adequação de ambientes e regularização fundiária, expandindo hoje o atendimento de Pelotas para diversos municípios da região”, inicia.
A aproximação entre a formação acadêmica e as demandas da comunidade começou antes mesmo da consolidação do programa de extensão, em 2009. De acordo com o ex-professor de Arquitetura e Urbanismo da UCPel e ex-coordenador de extensão Noé Vega, havia, dentro do curso, uma preocupação em formar profissionais que não estivessem distantes da realidade social. Esse movimento ganhou força com a inclusão da habitação social entre os projetos desenvolvidos pelos estudantes, ainda nos primeiros anos da graduação.
“A partir dessa experiência, novas demandas começaram a chegar à universidade. A comunidade passou a procurar o curso em busca de apoio para questões como a regularização de terrenos, e a atuação dos estudantes e professores se ampliou para projetos com comunidades quilombolas e indígenas. Isso ajudou a transformar uma preocupação já existente na universidade”, pontua.
O professor destaca que a extensão também provocou uma mudança na própria formação dos estudantes. Mais do que aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, os alunos passaram a entrar em contato direto com diferentes realidades e a aprender a partir das experiências da própria comunidade. “É o conhecimento que o aluno leva para a comunidade e que o aluno aprende com a comunidade”, resume.
O atual coordenador do programa, professor Alexandre Maciel, destaca que, ao longo dos 15 anos de atuação, o projeto teve papel significativo na formação acadêmica e social dos estudantes. Para ele, a experiência proporcionada pela extensão permite que os alunos ampliem sua visão sobre a arquitetura e o urbanismo, desenvolvendo não apenas conhecimentos profissionais, mas também uma maior preocupação com as questões sociais e com a garantia de uma moradia digna.
“Eu acho que a contribuição foi imensa em todos os caminhos, mas, basicamente, a gente pôde contribuir para a formação acadêmica e a formação social desses alunos. A gente conseguiu, sem dúvida, no bom sentido, contaminar essas pessoas com uma preocupação social, uma moradia digna. Eles puderam crescer não só como arquitetos, mas como pessoas também.”
Também presente no evento, o egresso do curso e atual secretário municipal de Habitação e Regularização Fundiária de Pelotas, Cassius Baumgarten, destaca a importância da extensão em sua formação. Segundo ele, a experiência no projeto Habitat Social foi transformadora e fundamental para que descobrisse o papel do arquiteto e urbanista na sociedade, direcionando sua trajetória profissional para a habitação de interesse social, o direito à moradia e o direito à cidade.
“A extensão foi transformadora na minha formação. Foi onde eu me descobri e descobri, na verdade, a função do arquiteto e urbanista na sociedade. Hoje, como secretário de Habitação, devo muito à extensão, porque foi ela que me formou como arquiteto e urbanista e me levou para esse caminho da habitação de interesse social, do direito à moradia e do direito à cidade”, pontuou.
Gabriele Kazanowski, acadêmica do décimo semestre do curso e extensionista, ingressou no programa Habitat Social ainda no quarto semestre da graduação. A experiência, segundo ela, permitiu compreender na prática questões que inicialmente desconhecia, como a regularização fundiária, a segurança e a infraestrutura das comunidades, contribuindo para sua formação profissional e pessoal. O programa esteve presente em cidades como Capão do Leão, Rio Grande, Pinheiro Machado e Jaguarão, além de Pelotas.
“Entrei no Habitat já no quarto semestre, mas ainda meio sem entender nem o que era uma regularização fundiária. Com o passar dos anos, fui entendendo que tinha muita coisa por trás disso, como a questão de segurança e de infraestrutura para aquelas pessoas. Isso fez com que eu crescesse muito, tanto como profissional, mas também pessoal, porque a gente conseguiu ver a realidade de muitas famílias”, falou.
A Extentio é uma publicação semestral da UCPel, voltada à divulgação de práticas, relatos de experiências e resultados de atividades de extensão universitária. Nesta edição, o foco foi a celebração dos 15 anos do Sustentabilidade no Habitat Social.
O periódico trouxe histórico, dados técnicos e relatos de docentes e acadêmicos, com o objetivo de incentivar projetos como esse. Entre projetos, pesquisas, visitas a campo e ações de regularização fundiária, o programa mostra que formar arquitetos e urbanistas também significa compreender as diferentes realidades do território e atuar sobre elas. Mais do que preparar profissionais para o mercado, a experiência deixa marcas naqueles que passam pelo projeto e reforça o compromisso da universidade com a transformação social.
A revista está disponível no site.