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Professora da UCPel analisa exposição de trabalhadores a agentes tóxicos
08.07.2009 | 15:48
Professora da UCPel analisa exposição de trabalhadores a agentes tóxicos
Um aviso de que várias doenças podem surgir no futuro. Em torno desse ponto gira o trabalho da professora da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Maria da Graça Martino-Roth, que integra o Consórcio Internacional do Programa Colaborativo de Micronúcleos em Células Humanas. A pesquisadora e sua equipe estudaram 13 perfis de profissionais que, em seu dia-a-dia, entram em contato com agentes tóxicos ao material genético, os chamados genotóxicos. Os dados obtidos revelam que todos os profissionais estudados desenvolveram alterações e podem vir a apresentar problemas de saúde a médio ou longo prazo.

Mecânicos, frentistas, sapateiros, cabeleireiros, técnicos de laboratório, chapistas de automóveis, renovadores de baterias, dentistas e pessoas que trabalham diretamente com computadores são alguns dos trabalhadores estudados que, em seu cotidiano, lidam com substâncias nocivas à saúde.

Após examinar células da boca, a pesquisadora avaliou a presença de micronúcleos, ou seja, um núcleo “extra” além do tradicional presente em uma célula saudável. As pessoas que participaram do estudo são todas da região sul do estado. Fatores associados, como sexo, idade, tempo de trabalho, renda familiar, uso de álcool e fumo também foram analisados. “Em todos esses profissionais se encontrou alterações. Isso é um aviso precoce de que as pessoas podem vir a sofrer algumas doenças, como por exemplo, o câncer”, destacou a pesquisadora.

Segundo o estudo, o profissional mais atingido por substâncias tóxicas é o que atua com renovação de bateria, já que o trabalho envolve chumbo. “O número de danos foi muito maior nesses indivíduos”, pontuou.

O cuidado na proteção do local de trabalho pode evitar o aparecimento de problemas de saúde. A recomendação é de que os profissionais não subestimem os efeitos dessas substâncias e lancem mão de equipamentos de proteção ao fazerem suas atividades. Máscaras, luvas e jalecos adequados para cada função são indicados. A estrutura do local de trabalho também precisa ser levada em conta. Locais fechados são um verdadeiro veneno: a absorção pode se dar pela pele ou pelo ar. “As pessoas devem ter cuidado no contato com substâncias que podem alterar seu material genético”, alertou. De acordo com a professora, manter hábitos saudáveis, como fazer alimentação rica em vitaminas e vegetais, praticar exercícios físicos, não beber, não fumar e ter cuidados de higiene, como lavar as mãos, são importantes para evitar os efeitos negativos.

No entanto, não só trabalhadores passam pelo contato com genotóxicos. A professora estudou também os doentes renais crônicos e deve começar em breve um estudo com diabéticos.

Um vasto grupo colaborou nas pesquisas com os profissionais. Três técnicos e mais de 50 estudantes de graduação das universidades Católica e Federal de Pelotas estiveram envolvidos na produção. “É fundamental. Os alunos ganham experiência e se preparam para seguir adiante nos estudos, como preparação para a pós-graduação”, avaliou.

Os estudos integram o Consórcio do Programa Colaborativo de Micronúcleos em Células Humanas, que reúne 45 países. Do Brasil, apenas seis Universidades participam, e, entre elas, a UCPel.
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