Os 24 alunos da disciplina Ateliê VIII do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) receberam a tarefa de, neste semestre, avaliar a estrutura do prédio da Reitoria da instituição. Já realizado em outros locais da cidade, como o Porto de Pelotas, o trabalho consiste num levantamento de dados acerca do patrimônio arquitetônico municipal que vão desde aspectos da construção original até os processos de intervenção já desenvolvidos. A partir daí, é formulado um diagnóstico que indica que tipo de ações de restauro podem ser feitas.
Dividida em equipes, a turma tira fotos, anota informações e observa instalações elétricas e hidro-sanitárias, pisos, forros, paredes, esquadrias, portas e janelas. De acordo com um dos professores da disciplina, Breno Corrêa da Silva, a inspiração para os projetos surge nas atividades chamadas “análise de precedentes”. Porto Alegre e Buenos Aires são exemplos de locais cuja restauração de prédios históricos serviu de modelo aos professores e acadêmicos.
“Um dos princípios mais importantes da proposta é tentar, ao máximo, preservar as características originais de cada ambiente e sugerir técnicas de restauro baseadas na reciclagem”, explicou Silva. “Além disso, toda a parte histórica dos estudos é muito bem aproveitada, porque preserva nossas origens e servirá como arquivo de pesquisa cultural”.
Integrante do grupo que analisa as instalações elétricas e hidráulicas do prédio, a estudante Luciane Born disse considerar a atividade como uma importante experiência para seu currículo profisisonal, ainda que o trabalho seja diferente do que ela pretende seguir depois de formada. “Quero trabalhar com interiores, mas acho bem legal a idéia de diagnosticar técnicas de restauro. Tem sido interessante”, comentou.
Juntamente com Silva, participam das atividades as professoras Marta Amaral e Joseane Almeida e o coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo, professor Ricardo Mendez.
Sobre o prédio
A construção que atualmente abriga a Reitoria da UCPel tem origem em meados da década de 80 do século XIX. No início, ela servia como residência da família do engenheiro Artur Antunes Maciel. Em 1948, o local foi vendido à Sociedade Caritativa Literária Irmãs de São José e começou a ser utilizado como educandário para a alfabetização de meninas. Posteriormente, foi adquirido por Dom Antônio Zattera, dando início às atividades da Faculdade Católica de Filosofia. O estilo eclético do prédio é uma de suas principais características arquitetônicas. Ele mescla elementos do renascimento italiano identificado com a tradição clássica e a forma prismática do trabalho feito nas fachadas externas, bem ao modelo cultural francês da época.

Alunos avaliam a estrutura do prédio

Prof. Breno Corrêa da Silva